A notícia que muitos consumidores e profissionais de TI temiam acaba de se confirmar: a Lenovo, uma das maiores fabricantes de PCs do mundo, declarou que a escalada nos preços de memórias RAM (DRAM) e armazenamento (Flash NAND) não é um fenômeno passageiro, mas sim o “novo normal”. A declaração foi feita durante o evento ISC 2026, focado em computação de alto desempenho, e joga um balde de água fria em quem esperava uma volta aos patamares de 2025.
Para o consumidor brasileiro, isso significa que notebooks, PCs montados e até consoles de videogame devem continuar caros ou até sofrer novos reajustes. Empresas como Apple e Microsoft já estão repassando esses custos. Neste artigo, o MundoManchete Tec analisa as causas, as consequências práticas e o que você pode fazer para se planejar financeiramente.
O que a Lenovo realmente disse sobre o “novo normal” das memórias?
Durante o ISC 2026, a Lenovo apresentou slides que mostravam um gráfico de escalada de preços de chips DRAM e NAND, acompanhado da expressão “novo normal”. A mensagem central foi: a diferença entre a demanda e a oferta de memórias não diminuirá significativamente até 2030. Em outras palavras, os preços elevados que vemos hoje não são um pico temporário, mas o novo piso do mercado. A empresa deixou claro que o aumento da capacidade de produção e a construção de novas fábricas terão pouco efeito no curto prazo para equilibrar o mercado.
Na prática, isso significa que a indústria de tecnologia está se ajustando a um cenário onde componentes de memória são um recurso escasso e caro. Para quem estava esperando uma Black Friday com descontos agressivos em notebooks com 16 GB ou 32 GB de RAM, a realidade é que esses descontos podem ser bem menores ou simplesmente não existirem.
Por que a inteligência artificial está por trás dessa crise?
O principal motor dessa alta é o crescimento explosivo das aplicações de inteligência artificial (IA). Data centers, que são o coração de serviços como ChatGPT, Gemini e assistentes corporativos, consomem uma quantidade imensa de memórias RAM de alto desempenho (como HBM, High Bandwidth Memory) e armazenamento NAND ultrarrápido (SSDs NVMe). Cada novo modelo de linguagem (LLM) treinado ou servidor de inferência montado exige centenas de gigabytes de DRAM e terabytes de armazenamento.
Como resultado, a demanda por esses chips superou a capacidade de produção global. Fabricantes como Micron, Samsung e SK Hynix estão produzindo a todo vapor, mas ainda assim não conseguem atender a todos os pedidos. A Micron, por exemplo, atingiu um valor de mercado de US$ 1,4 trilhão recentemente, o que mostra como o mercado está aquecido — e caro. Enquanto a IA continuar crescendo, a pressão sobre os preços das memórias continuará.
Como isso afeta o consumidor brasileiro hoje?
Os efeitos já são sentidos no bolso. A Apple aumentou os preços de MacBooks e iPads nesta semana, citando explicitamente os custos com memórias. A Microsoft também anunciou que a linha Xbox ficará mais cara a partir de agosto pelo mesmo motivo. Mas não são apenas os grandes players: qualquer fabricante de notebooks, PCs de mesa ou até mesmo de smartphones está pagando mais caro por módulos de RAM e chips de armazenamento.
Para o usuário final, isso se traduz em:
- Notebooks e PCs mais caros: modelos com 16 GB de RAM ou SSDs de 512 GB podem ter reajustes de 10% a 20%.
- Upgrades de hardware menos atrativos: comprar um pente de memória DDR5 ou um SSD NVMe separadamente está custando mais caro.
- Menos promoções: a tendência é que os descontos sazonais (Black Friday, Natal) sejam menores em produtos que dependem desses componentes.
- Consoles de videogame: o aumento do Xbox é um sinal de que PlayStation e Nintendo também podem seguir o mesmo caminho.
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O que esperar dos preços até 2028?

Previsões anteriores já indicavam que a crise dos chips de memória RAM e armazenamento deveria perdurar pelo menos até 2028. A declaração da Lenovo reforça essa tendência, mas com um tom ainda mais pessimista: não há data para o fim do “RAMageddon”. A empresa sugere que os preços atuais serão o patamar esperado para 2030, ou seja, não devemos esperar uma volta aos valores de 2025.
Isso não significa que os preços vão subir indefinidamente. Eles podem se estabilizar em um patamar elevado, com pequenas flutuações sazonais. Mas a era de memórias baratas, que durou anos, parece ter ficado para trás. Para quem está planejando montar um PC ou comprar um notebook, o conselho é: não espere uma grande queda. Se você precisa do equipamento, compre agora, pois os preços podem subir ainda mais.
Dúvidas frequentes sobre a alta das memórias (FAQ)
1. Vale a pena comprar um notebook agora ou esperar os preços caírem?
Com base nas declarações da Lenovo e de outras fabricantes, não há sinais de queda de preços no curto ou médio prazo. A tendência é de estabilização em patamares elevados ou até de novos aumentos. Se você precisa de um notebook para trabalho, estudos ou jogos, o melhor momento para comprar é agora. Esperar pode significar pagar mais caro pelo mesmo produto ou encontrar menos ofertas. Uma dica prática: priorize modelos com RAM soldada (que não pode ser atualizada) já com a capacidade desejada, pois upgrades futuros também estarão caros.
2. A alta das memórias afeta apenas PCs, ou também celulares e tablets?
Afeta todos os dispositivos que usam memórias DRAM e NAND, o que inclui smartphones, tablets, consoles e até eletrodomésticos inteligentes. A Apple já reajustou os preços de iPads e MacBooks. No caso de celulares Android, os fabricantes podem optar por reduzir a quantidade de memória nos modelos de entrada para manter o preço competitivo, ou simplesmente repassar o aumento. Portanto, espere que celulares intermediários e flagships fiquem mais caros ou venham com menos armazenamento pelo mesmo valor.
3. Como posso me proteger financeiramente desse aumento?
Se você está planejando uma compra grande (notebook, PC gamer, console), o ideal é antecipá-la. Além disso, considere comprar componentes avulsos (como SSDs e pentes de memória) agora, antes que novos reajustes ocorram. Outra estratégia é optar por equipamentos com memória expansível (como PCs de mesa ou notebooks com slot SO-DIMM livre), para que você possa comprar um modelo com menos memória hoje e fazer um upgrade no futuro, quando talvez os preços estejam um pouco mais estáveis. Por fim, fique de olho em promoções relâmpago, mas sem expectativas de descontos agressivos.
O que esperar daqui para frente
O cenário traçado pela Lenovo e por outras gigantes do setor é de um mercado de memórias permanentemente mais caro, impulsionado pela demanda insaciável de inteligência artificial. Para o consumidor brasileiro, isso significa se adaptar a uma nova realidade de preços. A curto prazo, a tendência é de continuidade dos aumentos, com possível estabilização em níveis elevados a partir de 2028. A médio prazo, inovações na produção (como novas litografias para chips 3D NAND) podem aliviar um pouco a pressão, mas não a ponto de trazer os preços de volta ao que eram.
Por isso, nosso conselho editorial é: planeje-se financeiramente, priorize compras de equipamentos essenciais agora e evite endividamento para adquirir tecnologia. O “novo normal” chegou para ficar, e a melhor defesa é um planejamento inteligente.
Tags: lenovo, preços de memória ram, aumento ssd, inteligência artificial, crise de chips
Fonte Original: tecnoblog.net
Foto: Reproducao / Tecnoblog
