A ascensão da necromancia digital

Recentemente, o conceito de necromancia digital ganhou destaque com o uso de inteligência artificial (IA) para criar avatares de pessoas falecidas. Esta prática envolve a manipulação de vozes, imagens e traços de personalidade de indivíduos que já partiram, gerando representações digitais que podem interagir com os vivos. Embora fascinante, essa tecnologia levanta questões éticas e legais significativas.

Impacto no luto e na memória

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O uso de IA para criar avatares de falecidos pode impactar profundamente a maneira como lidamos com o luto. Enquanto algumas pessoas veem isso como uma forma de manter viva a memória de entes queridos, outras consideram a prática perturbadora, transformando o luto em um produto de consumo. Como observa Elaine Kasket, autora de “All the Ghosts in the Machine”, essa tecnologia pode distorcer memórias e criar “fantoches digitais”.

Comparações com o passado

O conceito de recriar digitalmente pessoas falecidas não é novo. Em Hollywood, isso já foi feito para concluir cenas de atores falecidos, como Paul Walker em “Velozes e Furiosos 7” e Peter Cushing em “Rogue One: Uma História Star Wars”. No Brasil, a Volkswagen usou deepfake para criar um dueto entre Elis Regina e sua filha Maria Rita. No entanto, a acessibilidade atual dessas ferramentas de IA democratizou essa prática, permitindo que qualquer pessoa crie avatares digitais.

Desafios éticos e regulatórios

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A criação de avatares digitais de falecidos sem consentimento prévio levanta preocupações legais e éticas. O caso envolvendo a Volkswagen e Elis Regina gerou investigações sobre violações de código publicitário. Além disso, o projeto do senador Rodrigo Cunha busca regulamentar o uso de imagens e áudios de falecidos, mas enfrenta desafios para avançar. Kasket sugere a criação de um modelo de direitos de personalidade que se estenda além da morte.

O mercado da tecnologia do luto

O setor chamado “grief tech” explora a tecnologia para criar clones digitais de pessoas falecidas, oferecendo interação com familiares e amigos. Embora possa servir como conforto para alguns, essa prática pode ser vista como uma exploração do luto. O jornalista Jim Acosta entrevistou um avatar de Joaquin Oliver, morto em um massacre escolar, ilustrando a controvérsia em torno dessa tecnologia.

“O luto é uma experiência individual e não deve ser tratado como um problema a ser resolvido”, afirma Elaine Kasket.

FAQ

O que é necromancia digital?

A necromancia digital refere-se à prática de usar IA para criar avatares de pessoas falecidas, manipulando suas vozes, imagens e traços de personalidade.

Quais são os principais desafios éticos?

Os desafios incluem a falta de consentimento dos falecidos, a possível distorção de suas memórias e a exploração do luto como um produto de consumo.

Como a legislação está reagindo a isso?

Há tentativas de regulamentar o uso de avatares digitais de falecidos, mas o progresso é lento devido à influência de empresas de tecnologia e à complexidade das questões envolvidas.

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O que esperar daqui para frente

O avanço da necromancia digital requer uma discussão contínua sobre ética e regulamentação. Com o aumento da acessibilidade a ferramentas de IA, torna-se crucial estabelecer diretrizes claras para proteger a privacidade e a dignidade dos falecidos. Enquanto a tecnologia evolui, a sociedade precisa equilibrar inovação com respeito à memória dos que partiram.

Tags: necromancia digital, inteligência artificial, ética, tecnologia do luto, regulamentação


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: lesha tuman no Unsplash